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BASTIDORES DA SAF: O RACHA NA SEMPRE VASCO, A DISPUTA PELO CONTROLE E A GUERRA DE NARRATIVAS NOS BASTIDORES DO VASCO
A negociação para a venda da SAF do Vasco da Gama ao grupo liderado por Marcos Lamacchia ultrapassa há algum tempo a esfera financeira e jurídica. Nos bastidores de São Januário, a operação passou a ser acompanhada por uma intensa disputa política interna que expôs divergências dentro da própria Sempre Vasco, grupo responsável por conduzir o clube desde a eleição de Pedrinho.
Para quem não acompanha lives e discussões mais aprofundadas sobre o tema, compreender esse cenário é fundamental para entender os atrasos nas negociações, os conflitos internos e os movimentos que vêm acontecendo nos bastidores do clube nos últimos meses.
O RACHA DENTRO DA SEMPRE VASCO
Hoje, existe uma divisão clara dentro da Sempre Vasco.
De um lado está o chamado G5, formado por Pedrinho, Felipe, Alan Belaciano, Christiano Campos e Marcelo Macedo, o Tangerina.
Do outro lado estão integrantes da própria Sempre Vasco que passaram a divergir da forma como determinadas decisões vêm sendo conduzidas.
A principal crítica dos chamados dissidentes é a concentração das decisões em um grupo reduzido, sem o compartilhamento e a comunicação que, na visão deles, deveriam existir dentro da estrutura política que levou a atual gestão ao poder.
Entre os pontos frequentemente citados pelos críticos estão:
• Tomadas de decisão sem ampla participação do grupo;
• Esvaziamento do setor jurídico do clube;
• Interferências em áreas estratégicas da gestão;
• Centralização das discussões mais relevantes envolvendo clube e SAF.
Para os dissidentes, a ruptura não aconteceu de forma repentina. Trata-se de um processo construído ao longo do tempo, fruto de divergências acumuladas sobre a condução política e administrativa do Vasco.
A VERSÃO DO G5 SOBRE A ORIGEM DA RUPTURA
O G5, por sua vez, possui uma leitura diferente dos acontecimentos.
Segundo essa visão, o momento que teria servido como marco da ruptura ocorreu durante os trabalhos do comitê criado para investigar os desdobramentos da venda da SAF para a 777 Partners.
Relatos de bastidores apontam que os trabalhos do comitê avançaram até chegar ao nome do então vice-presidente de Finanças, Silvio de Almeida.
Em uma reunião da Sempre Vasco, Silvio teria demonstrado forte insatisfação por não ter sido previamente informado de que seria chamado para prestar esclarecimentos pelo próprio grupo político.
O episódio gerou uma discussão acalorada. Os ânimos se exaltaram e o encontro terminou em tom mais ríspido do que o habitual.
Para integrantes ligados ao G5, aquele momento representou o início efetivo da ruptura.
Já os dissidentes rejeitam essa interpretação e sustentam que a crise já vinha sendo construída muito antes daquele episódio, sendo consequência de uma série de desgastes acumulados ao longo dos meses.
AS FIGURAS CENTRAIS DA DISPUTA
Entre os nomes mais mencionados pelos dissidentes estão Alan Belaciano, Marcelo Macedo (Tangerina) e Christiano Campos.
Enquanto Alan e Tangerina costumam aparecer com mais frequência nos debates públicos, Christiano é apontado por diversas fontes como uma das figuras mais influentes da atual estrutura de poder.
Mesmo mantendo perfil discreto e distante dos holofotes, ele é visto como um dos principais articuladores internos da Sempre Vasco e considerado braço direito do presidente Pedrinho.
Sua participação direta nas negociações da SAF reforça a percepção de influência nos principais temas estratégicos do clube.
Além das divergências políticas e administrativas, também existem relatos de forte participação de integrantes da cúpula política em temas relacionados ao futebol.
Nos bastidores, é citado com frequência um grupo de WhatsApp chamado "Estratégia Futebol", formado pelos cinco integrantes do G5 — Pedrinho, Felipe, Alan Belaciano, Christiano Campos e Marcelo Macedo (Tangerina) — além do CEO da SAF, Carlos Amodeo, e do diretor executivo de futebol, Admar Lopes.
Segundo relatos de pessoas com conhecimento da dinâmica interna do clube, o grupo serviria como espaço para debates, alinhamentos e discussões relacionadas ao futebol do Vasco.
Críticos da atual gestão entendem que a existência desse núcleo ampliou a influência de dirigentes e agentes políticos em decisões ligadas ao departamento de futebol, gerando desgastes internos ao longo dos últimos meses.
Nos bastidores, há quem associe parte das tensões recentes justamente a esse modelo de governança e à participação de figuras externas ao dia a dia operacional do futebol nas discussões estratégicas da área.
Carlos Amodeo é apontado por diferentes interlocutores como um dos nomes que sofreu desgaste dentro desse ambiente. Internamente, existe a percepção de que seu ciclo no Vasco pode estar próximo do fim.
Admar Lopes também vive cenário semelhante. Nos bastidores, a avaliação predominante é de que sua permanência após a conclusão da venda da SAF é improvável, principalmente diante das mudanças estruturais que tendem a ocorrer caso a operação seja concretizada.
Para os críticos do modelo atual, esse cenário reforça a percepção de centralização de poder em um grupo reduzido de dirigentes. Já aliados da gestão argumentam que a participação ampliada em temas estratégicos foi necessária diante da gravidade da situação encontrada no clube e da necessidade de reconstrução da SAF.
A ACUSAÇÃO DE TENTATIVA DE RETARDAR A VENDA
Outro ponto de atrito envolve diretamente a negociação com o grupo liderado por Marcos Lamacchia.
O G5 atribui aos chamados dissidentes possíveis movimentos para dificultar ou retardar a conclusão da operação.
Segundo essa visão, sucessivas exigências, inclusão de novas cláusulas e pedidos de garantias adicionais teriam contribuído para prolongar as negociações e adiar a assinatura dos documentos.
Os dissidentes rejeitam essa interpretação e argumentam que as exigências têm como único objetivo proteger o Vasco de riscos futuros e garantir que a operação seja concluída com o máximo de segurança possível para o clube.
Na prática, esse embate transformou a negociação da SAF em mais um capítulo da disputa interna travada dentro da própria Sempre Vasco.
A SAÍDA DA G5 PARTNERS DAS NEGOCIAÇÕES
Nas etapas mais recentes da negociação, a condução das conversas passou a ficar concentrada em Pedrinho, Christiano Campos e um advogado ligado ao processo.
A G5 Partners, que em determinado momento teve papel relevante na estruturação das tratativas, encontra-se atualmente afastada das negociações ou com participação significativamente reduzida.
A mudança reforçou o protagonismo da cúpula política da Sempre Vasco nas conversas finais com o investidor.
Para aliados da atual gestão, a centralização das negociações em um grupo mais restrito foi necessária para dar agilidade ao processo e evitar ruídos durante uma etapa considerada decisiva para a concretização da operação.
Já os dissidentes enxergam o movimento como mais um exemplo da concentração de poder que, segundo eles, vem marcando a condução do clube desde o início da gestão.
Essa divergência de visões ajuda a explicar por que a discussão sobre a SAF deixou de ser apenas uma questão financeira e passou a refletir também a disputa política existente dentro da própria Sempre Vasco.
O INVESTIDOR E A BUSCA POR INDEPENDÊNCIA
À medida que as negociações avançaram, um tema passou a dominar praticamente todas as discussões: a independência da futura SAF em relação à política do clube associativo.
Segundo relatos de pessoas envolvidas no processo, o grupo liderado por Marcos Lamacchia entende que a operação só fará sentido se houver garantias de que a gestão da SAF estará protegida de interferências políticas futuras.
A preocupação do investidor é criar uma estrutura capaz de funcionar com autonomia, evitando que disputas eleitorais, mudanças de gestão ou conflitos internos do associativo afetem a condução do negócio.
Nos bastidores, uma frase passou a sintetizar esse pensamento:
"Acreditar no investidor, e não no contrato."
Embora dita de diferentes formas por diferentes interlocutores, a mensagem é clara: o investidor deseja liberdade para administrar a SAF sem mecanismos excessivos de interferência.
Por outro lado, o Vasco busca construir salvaguardas contratuais capazes de proteger o clube em um cenário futuro de eventual descumprimento de obrigações ou divergências de gestão.
É justamente nesse ponto que se concentra a principal queda de braço das negociações.
De um lado, um investidor que busca independência quase total para gerir a SAF.
Do outro, um clube que tenta preservar instrumentos mínimos de proteção institucional.
Nos bastidores, a avaliação predominante é de que a posição de força está com o investidor. Ainda assim, dirigentes vascaínos seguem buscando reduzir riscos e ampliar garantias através de sucessivas rodadas de negociação.
Mais do que uma simples venda, a discussão atual gira em torno de quem terá poder, quais serão os limites dessa autonomia e quais mecanismos existirão para proteger os interesses do Vasco no longo prazo.
E é justamente nesse ambiente de disputas políticas, divergências internas e negociações complexas que será definido o futuro da SAF vascaína.
Apuração: Gustavo Cunha - @gustavotutinha
Fonte: X Estagiário do Vasco