Governo adia reunião com clubes sobre proibição de casas de apostas
Segunda-feira, 28/09/2026 - 22:50


O Governo Federal adiou a reunião que estava marcada com os clubes de futebol e federações para esta terça-feira, em Brasília. O encontro tinha como objetivo ouvir os representantes e fazer um diagnóstico dos impactos provocados pela medida provisória que proibiu as bets no país.

Em ofício enviado ao presidente da CBF Samir Xaud, o ministro do Esporte Paulo Henrique Cordeiro usou como justificativa para o adiamento a proximidade da data inicialmente proposta e os horários dos voos disponíveis para o deslocamento dos participantes ao redor de todo o país. O novo dia e horário serão comunicados com maior antecedência à entidade.

O encontro havia sido convocado na manhã desta segunda e tinha como tema "o fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro, buscando promover o diálogo institucional, e a construção conjunta de iniciativas voltadas ao desenvolvimento e ao fortalecimento do futebol nacional". Todos os clubes das Séries A, B, C e D do Brasileiro haviam sido chamados, além das federações estaduais. A iniciativa fora tomada após a reação negativa deles com a MP que proibiu as bets.

O governo deve ouvir as demandas dos clubes e avaliar alternativas para reduzir impactos e possíveis prejuízos decorrentes do fim dos acordos com as casas de apostas esportivas. Eventuais medidas de apoio serão avaliadas posteriormente. Empresas de apostas on-line já notificaram equipes sobre a possibilidade de rompimento de contratos de patrocínio, o que levou dirigentes a alertar para dificuldades em honrar compromissos financeiros nos próximos meses.

Dos 20 times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, 14 têm contratos de patrocínio master com casas de apostas. O mercado movimentará cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro em 2026, mesmo patamar da última temporada. Em 2024, 18 dos 20 times da primeira divisão tinham marcas do segmento estampadas nos uniformes, em um mercado que movimentou cerca de R$ 523 milhões naquele ano. Além disso, as bets passaram a ocupar os naming rights dos principais campeonatos nacionais.

Por outro lado, levantamento do GLOBO mostra que nenhum contrato envolvendo bets representa mais do que 13% de algum orçamento de participante do campeonato. E os clubes da Série A têm apenas cerca de 7% das receitas oriundas de patrocínio de bets.

Fonte: Blog Diogo Dantas - O Globo