Confira o que prevê o contrato entre Vasco e empresa de Marcos Lamacchia
Sexta-feira, 02/10/2026 - 11:14
O Vasco está muito perto de concluir a venda da sua SAF para a Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia. Na última sexta, a Almirante venceu o leilão e teve homologada sua proposta pelas ações. Na próxima terça, o Conselho Deliberativo do clube vai votar se aprova ou não o negócio.

A equipe de Lamacchia enviou o MoU (memorando de entendimento) aos conselheiros e pessoas envolvidas na transação no começo desta semana. O documento detalha as bases financeiras e operacionais da proposta, para que todos estejam cientes do que estará em votação.

Se a negociação for aprovada pelos conselheiros e posteriormente pelos sócios do Vasco, a Almirante Participações ficará com 90% das ações da SAF, o que tornará Marcos Lamacchia o novo dono do futebol vascaíno. Todos os bens ligados à modalidade, entre eles jogadores, comissão técnica, contratos comerciais, patrocínio, direito do uso do CT e propriedade intelectual ligada ao futebol, irão para a nova SAF.



Saiba o que prevê o memorando assinado pelas partes:

  • Cessão de direitos: a nova SAF assume a totalidade dos ativos desportivos e a totalidade das dívidas da SAF Vasco

  • Uso do estádio: cessão à SAF do uso de São Januário em todas as partidas de futebol profissional em que atuar como mandante, com prioridade absoluta e exclusividade, até 31 de dezembro de 2030;

  • Governança da SAF: a administração será exercida por conselho de administração, diretoria e conselho fiscal. Será assegurado o voto afirmativo aos acionistas minoritários (clube social) nas matérias legalmente reservadas;

  • Retenção de dividendos: Marcos Lamacchia não poderá alienar novas ações da SAF por 10 anos, e a SAF não poderá distribuir dividendos pelo mesmo prazo;

  • Inadimplência financeira: se Lamacchia deixar de pagar um dos cinco aportes obrigatórios, o Vasco terá uma procuração para executar o valor, cobrando as cifras tanto da Almirante Participações S/A quanto do próprio Marcos Lamacchia.


Parte financeira

O contrato prevê um aporte mínimo de R$ 500 milhões exclusivamente para o futebol até 2030. No acordo, este valor não pode ser usado para o pagamento de dívidas ou para o cumprimento de outras obrigações assumidas pela nova SAF.

As obrigações da SAF:

  • Auxílio financeiro: pagar obrigações tributárias, previdenciárias e extraconcursais, conforme prazos e condições estabelecidas nos parcelamentos ou transações e/ou de outros acordos;

  • CT e base: investimento de R$ 120 milhões ao longo de 10 anos no CT da equipe profissional e de R$ 30 milhões ao longo de dois anos em melhorias na infraestrutura das categorias de base. Nesse valor, não estão incluídos eventuais valores despendidos com aquisições de terrenos;

  • Incentivos fiscais: comprometer-se a tomar as medidas necessárias para estruturar e conduzir projetos de incentivo fiscal em favor do CRVG em valor total de até R$ 150 milhões, a serem obtidos de forma progressiva ao longo de 10 anos;

  • Aportes adicionais: caso a SAF não disponha, a qualquer tempo, de recursos suficientes para o cumprimento das obrigações relativas à dívida da Recuperação Judicial, à dívida tributária e extraconcursal, ao fluxo de caixa e aos investimentos em infraestrutura, Marcos Lamacchia deverá realizar os aportes adicionais na Nova SAF necessários ao cumprimento integral dessas obrigações, sem que isso gere aumento de sua participação societária, diluição da SAF Vasco ou qualquer redução do valor a ser integralizado;

  • Estádio: a Almirante pagará R$ 3 milhões por ano ao CRVG (clube social) para usar São Januário; o valor será reduzido a R$ 2 milhões em caso de obras.




A negociação entre Almirante e Vasco é atualmente investigada pela Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) para avaliar possível conflito de interesses, uma vez que Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras. No entanto, todas as partes entendem que não há chance de a agência impedir a venda da SAF, apenas determinar restrições até o fim do mandato de Leila, em dezembro de 2027.

Fonte: ge